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Perdi um dente faz tempo. Ainda dá para fazer implante?

Na maioria dos casos, sim. Entenda o que acontece com o osso depois da extração, o que os estudos mostram sobre a duração dos implantes, quando é preciso enxerto e quais fatores pesam no resultado.

Por Dr. Victor J. Eidt, cirurgião-dentista · CRO-SC 16999
· 4 min de leitura

Resposta curta: na maioria dos casos, sim. O tempo sem o dente, por si só, não impede o implante. O que muda é a quantidade de osso que restou no local, porque ele diminui depois da extração, e é isso que define se o implante pode ser instalado direto ou se o osso precisa ser reconstruído antes.

“Perdi um dente, mas não faz falta.”

É uma frase comum no consultório, e faz sentido: nos primeiros meses, um espaço vazio quase não muda a rotina. As mudanças acontecem por baixo da gengiva, devagar, e só aparecem no exame.

O que acontece com o osso depois que o dente sai

O osso que sustenta os dentes, chamado de osso alveolar, depende deles para se manter. A cada mastigada, a raiz transmite força a esse osso, e esse estímulo sinaliza ao organismo que a estrutura é necessária. Sem a raiz, o corpo passa a reabsorver a região.

Essa perda foi medida com precisão. Um estudo dinamarquês acompanhou 46 pacientes por 12 meses depois da extração de pré-molares e molares e mostrou que a largura do osso pode diminuir cerca de metade no primeiro ano, com aproximadamente dois terços dessa perda nos três primeiros meses (Schropp e colaboradores, 2003).

Uma revisão sistemática posterior, que reuniu 20 estudos, encontrou números na mesma direção: seis meses depois da extração, a perda horizontal (em largura) variou de 29% a 63%, e a vertical (em altura), de 11% a 22%. As reduções são rápidas nos primeiros três a seis meses e continuam de forma mais lenta depois (Tan e colaboradores, 2012).

O espaço vazio também afeta os dentes ao redor. Sem o vizinho, os dentes ao lado tendem a inclinar em direção ao espaço, e o dente da arcada oposta pode “descer”, porque perdeu o contato que o mantinha no lugar. A mordida muda aos poucos.

Então ainda dá para fazer implante?

Na maior parte dos casos, dá. O que muda é o caminho:

  • Osso suficiente: o implante pode ser instalado direto.
  • Osso insuficiente em largura ou altura: ele é reconstruído antes, com um enxerto ósseo, ou ao mesmo tempo que o implante, quando a situação permite. Na região dos molares de cima, a reconstrução às vezes envolve o seio maxilar, a cavidade logo acima das raízes.
  • Casos em que outra solução faz mais sentido: uma prótese fixa apoiada nos dentes vizinhos ou uma prótese removível. A escolha depende do osso, da saúde geral e da preferência do paciente.

Como o implante se prende ao osso

O implante é um pino, geralmente de titânio, que faz o papel da raiz. Depois de instalado, o osso cresce em contato direto com a superfície dele, num processo chamado osseointegração. É essa união que permite ao implante receber a coroa e suportar a mastigação.

A osseointegração costuma levar alguns meses. Em situações selecionadas, quando o implante fica muito firme logo na instalação, é possível colocar um dente provisório antes desse prazo. O planejamento define se é o caso.

O que dizem os estudos sobre a duração

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Dentistry reuniu estudos prospectivos que acompanharam implantes modernos por 10 anos. A estimativa principal foi de 96,4% dos implantes ainda em função após uma década. Uma análise mais conservadora, que considerou os pacientes que deixaram de comparecer aos retornos, chegou a 93,2%, e encontrou resultados menores em pessoas com 65 anos ou mais (Howe, Keys e Richards, 2019).

Esses números são médias de grupos de pacientes e mostram que o implante é um tratamento previsível, mas não isento de falhas. Entre os fatores que influenciam o resultado estão:

  • Fumo, que prejudica a cicatrização e a manutenção do osso ao redor do implante.
  • Diabetes sem controle e outras condições que afetam a cicatrização.
  • Doença na gengiva não tratada antes do implante.
  • Higiene e retornos de manutenção, que permitem perceber cedo uma inflamação ao redor do implante, a peri-implantite.

As etapas do tratamento

  1. Avaliação e exames. Exame clínico e de imagem para medir o osso e ver os dentes vizinhos. Quando é preciso medir em três dimensões, solicita-se tomografia.
  2. Enxerto, se necessário. A reconstrução do osso pode exigir meses de cicatrização antes do implante.
  3. Instalação do implante. Procedimento com anestesia local.
  4. Osseointegração. Período de cicatrização, em geral de alguns meses.
  5. Coroa. O dente definitivo é feito e fixado sobre o implante, com a mordida ajustada.
  6. Manutenção. Retornos periódicos para limpeza profissional e controle por imagem.

Quanto antes, mais opções

Como a perda óssea é mais rápida nos primeiros meses, avaliar o espaço cedo costuma deixar mais caminhos disponíveis e, às vezes, dispensar o enxerto. Mas, se já faz anos, isso não encerra o assunto: o exame mostra exatamente quanto osso existe e qual é o caminho possível.

Para quem perdeu todos os dentes de uma arcada, a solução costuma ser outra: a prótese protocolo sobre implantes.

Como é a avaliação na Odonto Excellence

O raio-X panorâmico é feito na própria clínica, durante a consulta, e a imagem é mostrada na tela. O paciente vê onde está o espaço, quanto osso aparece ali e como estão os dentes vizinhos, e sai sabendo quais caminhos existem para o seu caso, quanto tempo cada um costuma levar e o que esperar de cada um.

Fontes

  1. Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. Int J Periodontics Restorative Dent. 2003;23(4):313-23.
  2. Tan WL, Wong TL, Wong MC, Lang NP. A systematic review of post-extractional alveolar hard and soft tissue dimensional changes in humans. Clin Oral Implants Res. 2012;23 Suppl 5:1-21.
  3. Howe MS, Keys W, Richards D. Long-term (10-year) dental implant survival: a systematic review and sensitivity meta-analysis. J Dent. 2019;84:9-21.

Perguntas frequentes

Quanto tempo depois da perda do dente ainda dá para colocar implante?

Não existe um prazo-limite. O que decide é a quantidade e a qualidade do osso que ficou na região, e isso só aparece no exame. Há casos de muitos anos sem o dente que recebem implante direto e casos que precisam de enxerto antes.

Quanto tempo dura um implante?

Em uma revisão sistemática de estudos com acompanhamento de 10 anos, cerca de 96% dos implantes continuavam em função. Higiene, controle de doenças como o diabetes, não fumar e retornos regulares estão entre os fatores que influenciam esse número.

Enxerto ósseo dói?

É feito com anestesia local, como o implante. Nos dias seguintes pode haver inchaço e desconforto, que o dentista orienta como controlar.

Como sei quanto osso eu tenho?

Pelo exame de imagem. Na Odonto Excellence o raio-X panorâmico é feito na própria clínica, durante a avaliação; quando o planejamento exige medidas em três dimensões, é solicitada uma tomografia.

Implante pode dar rejeição?

O titânio não provoca rejeição como um órgão transplantado. O que pode acontecer é o implante não se integrar ao osso ou, anos depois, perder suporte por inflamação da gengiva ao redor (peri-implantite). Os dois riscos existem e são discutidos no planejamento.