Perdi um dente faz tempo. Ainda dá para fazer implante?
Na maioria dos casos, sim. Entenda o que acontece com o osso depois da extração, o que os estudos mostram sobre a duração dos implantes, quando é preciso enxerto e quais fatores pesam no resultado.
Resposta curta: na maioria dos casos, sim. O tempo sem o dente, por si só, não impede o implante. O que muda é a quantidade de osso que restou no local, porque ele diminui depois da extração, e é isso que define se o implante pode ser instalado direto ou se o osso precisa ser reconstruído antes.
“Perdi um dente, mas não faz falta.”
É uma frase comum no consultório, e faz sentido: nos primeiros meses, um espaço vazio quase não muda a rotina. As mudanças acontecem por baixo da gengiva, devagar, e só aparecem no exame.
O que acontece com o osso depois que o dente sai
O osso que sustenta os dentes, chamado de osso alveolar, depende deles para se manter. A cada mastigada, a raiz transmite força a esse osso, e esse estímulo sinaliza ao organismo que a estrutura é necessária. Sem a raiz, o corpo passa a reabsorver a região.
Essa perda foi medida com precisão. Um estudo dinamarquês acompanhou 46 pacientes por 12 meses depois da extração de pré-molares e molares e mostrou que a largura do osso pode diminuir cerca de metade no primeiro ano, com aproximadamente dois terços dessa perda nos três primeiros meses (Schropp e colaboradores, 2003).
Uma revisão sistemática posterior, que reuniu 20 estudos, encontrou números na mesma direção: seis meses depois da extração, a perda horizontal (em largura) variou de 29% a 63%, e a vertical (em altura), de 11% a 22%. As reduções são rápidas nos primeiros três a seis meses e continuam de forma mais lenta depois (Tan e colaboradores, 2012).
O espaço vazio também afeta os dentes ao redor. Sem o vizinho, os dentes ao lado tendem a inclinar em direção ao espaço, e o dente da arcada oposta pode “descer”, porque perdeu o contato que o mantinha no lugar. A mordida muda aos poucos.
Então ainda dá para fazer implante?
Na maior parte dos casos, dá. O que muda é o caminho:
- Osso suficiente: o implante pode ser instalado direto.
- Osso insuficiente em largura ou altura: ele é reconstruído antes, com um enxerto ósseo, ou ao mesmo tempo que o implante, quando a situação permite. Na região dos molares de cima, a reconstrução às vezes envolve o seio maxilar, a cavidade logo acima das raízes.
- Casos em que outra solução faz mais sentido: uma prótese fixa apoiada nos dentes vizinhos ou uma prótese removível. A escolha depende do osso, da saúde geral e da preferência do paciente.
Como o implante se prende ao osso
O implante é um pino, geralmente de titânio, que faz o papel da raiz. Depois de instalado, o osso cresce em contato direto com a superfície dele, num processo chamado osseointegração. É essa união que permite ao implante receber a coroa e suportar a mastigação.
A osseointegração costuma levar alguns meses. Em situações selecionadas, quando o implante fica muito firme logo na instalação, é possível colocar um dente provisório antes desse prazo. O planejamento define se é o caso.
O que dizem os estudos sobre a duração
Uma revisão sistemática publicada no Journal of Dentistry reuniu estudos prospectivos que acompanharam implantes modernos por 10 anos. A estimativa principal foi de 96,4% dos implantes ainda em função após uma década. Uma análise mais conservadora, que considerou os pacientes que deixaram de comparecer aos retornos, chegou a 93,2%, e encontrou resultados menores em pessoas com 65 anos ou mais (Howe, Keys e Richards, 2019).
Esses números são médias de grupos de pacientes e mostram que o implante é um tratamento previsível, mas não isento de falhas. Entre os fatores que influenciam o resultado estão:
- Fumo, que prejudica a cicatrização e a manutenção do osso ao redor do implante.
- Diabetes sem controle e outras condições que afetam a cicatrização.
- Doença na gengiva não tratada antes do implante.
- Higiene e retornos de manutenção, que permitem perceber cedo uma inflamação ao redor do implante, a peri-implantite.
As etapas do tratamento
- Avaliação e exames. Exame clínico e de imagem para medir o osso e ver os dentes vizinhos. Quando é preciso medir em três dimensões, solicita-se tomografia.
- Enxerto, se necessário. A reconstrução do osso pode exigir meses de cicatrização antes do implante.
- Instalação do implante. Procedimento com anestesia local.
- Osseointegração. Período de cicatrização, em geral de alguns meses.
- Coroa. O dente definitivo é feito e fixado sobre o implante, com a mordida ajustada.
- Manutenção. Retornos periódicos para limpeza profissional e controle por imagem.
Quanto antes, mais opções
Como a perda óssea é mais rápida nos primeiros meses, avaliar o espaço cedo costuma deixar mais caminhos disponíveis e, às vezes, dispensar o enxerto. Mas, se já faz anos, isso não encerra o assunto: o exame mostra exatamente quanto osso existe e qual é o caminho possível.
Para quem perdeu todos os dentes de uma arcada, a solução costuma ser outra: a prótese protocolo sobre implantes.
Como é a avaliação na Odonto Excellence
O raio-X panorâmico é feito na própria clínica, durante a consulta, e a imagem é mostrada na tela. O paciente vê onde está o espaço, quanto osso aparece ali e como estão os dentes vizinhos, e sai sabendo quais caminhos existem para o seu caso, quanto tempo cada um costuma levar e o que esperar de cada um.
Fontes
- Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. Int J Periodontics Restorative Dent. 2003;23(4):313-23.
- Tan WL, Wong TL, Wong MC, Lang NP. A systematic review of post-extractional alveolar hard and soft tissue dimensional changes in humans. Clin Oral Implants Res. 2012;23 Suppl 5:1-21.
- Howe MS, Keys W, Richards D. Long-term (10-year) dental implant survival: a systematic review and sensitivity meta-analysis. J Dent. 2019;84:9-21.
Perguntas frequentes
Quanto tempo depois da perda do dente ainda dá para colocar implante?
Não existe um prazo-limite. O que decide é a quantidade e a qualidade do osso que ficou na região, e isso só aparece no exame. Há casos de muitos anos sem o dente que recebem implante direto e casos que precisam de enxerto antes.
Quanto tempo dura um implante?
Em uma revisão sistemática de estudos com acompanhamento de 10 anos, cerca de 96% dos implantes continuavam em função. Higiene, controle de doenças como o diabetes, não fumar e retornos regulares estão entre os fatores que influenciam esse número.
Enxerto ósseo dói?
É feito com anestesia local, como o implante. Nos dias seguintes pode haver inchaço e desconforto, que o dentista orienta como controlar.
Como sei quanto osso eu tenho?
Pelo exame de imagem. Na Odonto Excellence o raio-X panorâmico é feito na própria clínica, durante a avaliação; quando o planejamento exige medidas em três dimensões, é solicitada uma tomografia.
Implante pode dar rejeição?
O titânio não provoca rejeição como um órgão transplantado. O que pode acontecer é o implante não se integrar ao osso ou, anos depois, perder suporte por inflamação da gengiva ao redor (peri-implantite). Os dois riscos existem e são discutidos no planejamento.
